Mercado da Bola

VAR sob fogo: Rosetti cobra fim das revisões microscópicas

VAR: A temporada europeia bateu recorde de 0,36 revisões por jogo na Champions League e reacendeu a discussão sobre o verdadeiro papel do árbitro de vídeo, com Roberto Rosetti, chefe de arbitragem da UEFA, pedindo freio na “lupa” excessiva que, segundo ele, distorce a essência do futebol.

Entenda a polêmica

Falando em coletiva na Bélgica, Rosetti comparou o atual uso da tecnologia à antiga “moviola” da década de 1920, quando cada frame era dissecado até exaustão. O italiano lembra que o VAR foi criado para corrigir “erros claros e óbvios” – pênaltis não marcados, gols irregulares escancarados, impedimentos factuais. No entanto, a média de revisões dobrou desde 2021/22 na principal competição da UEFA, enquanto a Premier League mantém 0,15 checagens em campo, menos da metade.

O caso mais emblemático ocorreu na semifinal da Copa do Rei, entre Barcelona e Atlético de Madrid. Foram seis minutos de paralisação para avaliar um possível toque impedido de Lewandowski em lance que teria diminuído o placar. O sistema semiautomático falhou por “excesso de jogadores” na área, forçando o traçado manual das linhas e gerando revolta de Hansi Flick e Eric García. Para Rosetti, episódios assim mostram que “nos esquecemos do motivo” do VAR e que a mídia também pressiona por mais intervenções, criando um círculo vicioso de críticas e expectativa por perfeição.

O que pode mudar já na próxima temporada

Rosetti sinalizou três frentes de ação que serão levadas à reunião de fim de temporada da UEFA:

  • Reduzir a velocidade das repetições para lances interpretativos, evitando juízos baseados em quadros congelados.
  • Impor limite temporal: se a decisão não for clara em 60 segundos, mantém-se a marcação de campo.
  • Ampliar a comunicação direta com o público dentro do estádio, a exemplo do que a FIFA testou no Mundial.

No âmbito nacional, a CBF monitora as discussões. A Comissão de Arbitragem avalia importar o protocolo de “erro claro”, sobretudo para a Série A 2026, em que o tempo efetivo de bola em jogo caiu para 54 minutos, muito por conta das checagens.

Enquanto isso, torcedores seguem divididos: parte clama por precisão cirúrgica, outra prefere fluidez e aceita o risco de equívocos humanos. A verdade é que, sem consenso, o futebol busca o equilíbrio entre justiça e espetáculo.

Análise Sigo Meu Time: Se adotadas, as propostas de Rosetti podem devolver ritmo aos jogos e reduzir a temperatura de críticas de atletas e técnicos. A pressa, contudo, não pode sacrificar a segurança jurídica que o VAR trouxe em lances factuais. O torcedor quer emoção, mas também quer confiar no resultado – encontrar esse meio-termo será o maior desafio. Acompanhe atualizações em nosso portal Sigo Meu Time.

Fonte: Informações da Imprensa

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo